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Papo com a Psicóloga| Fofoca no local de trabalho? Como intervir nessa situação?

Foto: © Depositphotos.com / creatista
Ninguém gosta de ser vítima de fofoca e quando falamos sobre este comportamento no ambiente de trabalho, sabemos muito bem dos malefícios que ele provoca nas relações interpessoais, na produtividade, na motivação dos colaboradores e na dinâmica de cooperação das equipes, culminando então, em prejuízos enormes para o clima organizacional.

Sabemos que algumas pessoas investem arduamente para efetivar aquele ditado pernicioso que diz assim: “uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”. Não digo que ela se torne verdade, mas vejo, dentro da minha experiência profissional, que ela pode denegrir a imagem de alguém, bem como gerar graves conflitos dentro das empresas.

1.Então, o que fazer então diante deste comportamento tão indesejado e ao mesmo tempo, recorrente?

Partindo do pressuposto que a fofoca é um ato de comunicação (ainda que em estado desajustado, com intenções de difamar/prejudicar outrem); devemos analisá-la, portanto, como uma ação humana, praticada tão somente nos ambientes de interação social. Sendo assim, o profissional responsável pela gestão com pessoas dentro da empresa que enfrenta esse tipo de problemática, tem papel fundamental no processo de educar as pessoas a adquirir hábitos de convivência saudáveis e éticos. Seguem aqui, alguns passos imprescindíveis para combater a fofoca:

2.Entenda a fofoca como um sintoma

Toda enfermidade se relaciona com determinados sintomas, certo? Dentro das instituições e organizações não é muito diferente; as atitudes dos colaboradores, líderes e gestores são sinais que denunciam a saúde organizacional. Portanto, vale investigar o que pode estar gerando a fofoca. Em alguns casos, problemas de gestão causam tanto descontentamento nos colaboradores que, a fofoca pode ser tomada por eles, como uma resposta de defesa ou ataque, frente a incômodos ignorados.

3.Bata enquanto o ferro está quente

Gestores e líderes devem ser sensíveis e atentos às necessidades e comportamentos de suas equipes; esperar o problema virar uma bola de neve para começar a resolver, vai dificultar e gerar mais desgaste. Por conseguinte, ao perceber qualquer menção de fofoca, promova uma comunicação saudável, faça reuniões, esclareça pontos escusos, sempre mantendo o respeito e a ética com seus ouvintes (ou seja, não faça reuniões para expor pessoas). Além disso, se achar necessário, complemente esta ação com uma conversa particular, onde você possa reforçar para a pessoa que propagou a fofoca, que esta ação é contrária à cultura da empresa.

4.Lideres e gestores precisam dar o exemplo

Não adianta o profissional de gestão com pessoas realizar todo um trabalho de combate à fofoca, se as próprias figuras de autoridade dentro da empresa acabam fazendo comentários da vida particular de um colaborador para outro ou expondo opiniões sobre o desempenho de alguém para terceiros, sem que isso faça parte de estratégias de gestão. Portanto, antes de falar algo, avalie se isso é ou não produtivo para o desenvolvimento profissional de sua equipe.

5.Zele pela integridade da maioria

Por fim, depois de analisar, estudar o caso e intervir, o profissional de gestão com pessoas concluir que a fofoca na empresa persiste por ser um hábito particular e pessoal de uma única pessoa, converse diretamente com ela e tente avaliar a melhor alternativa; considere dar suporte para que ela corrija este hábito (o qual pode prejudicá-la, inclusive, no âmbito pessoal). Mas também, não descarte a possibilidade de remanejá-la para um setor onde ela tenha menos oportunidade de replicar boatos e, em último caso, cogite a demissão, pois antes perder um colaborador que permitir que seu clima organizacional seja totalmente devastado.

Mas lembre-se, demissão não é o melhor caminho e muitos problemas dessa ordem podem ser evitados quando a contratação é balizada por uma boa seleção de pessoal.


Simone Rezende

Psicóloga
CRP 18 03334