MP investiga suposto assédio sexual contra alunas em escola cívico-militar
Fonte: G1MT Foto: Reprodução Seed/PR
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou um inquérito civil para investigar denúncias de suposto assédio sexual contra alunas e irregularidades administrativas na Escola Estadual Cívico-Militar André Avelino Ribeiro, em Cuiabá. A portaria que determinou a investigação foi assinada pelo promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior na última sexta-feira (4).
Ao g1,
a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou que está apurando o caso e
colabora com o MPMT na busca pela elucidação dos fatos.
Segundo o documento, a investigação teve origem em uma
reclamação encaminhada pela Ouvidoria de Direitos Humanos, por meio do Disque
100, e posteriormente registrada na Ouvidoria do MPMT.
A denúncia relata que alunas estariam sendo assediadas
sexualmente por profissionais militares que atuavam na unidade. Entre
as situações narradas estão supostas entradas de militares em banheiros
femininos e comportamentos considerados inadequados pelas estudantes. A
denúncia também apontou que a então diretora da escola teria conhecimento da
situação e seria omissa na adoção de providências. O inquérito deverá apurar
também essa suspeita.
Antes da abertura do inquérito, o MPMT pediu informações à
Seduc. A secretaria encaminhou um relatório elaborado por uma equipe
psicossocial após uma visita à escola, realizada em 16 de junho deste ano, além
de atas de reuniões e orientações feitas à equipe gestora e aos servidores
cívico-militares desde 2025.
Em relação à denúncia de que um militar teria entrado no
banheiro feminino para realizar uma revista, a gestão da escola informou que
não houve confirmação de que o servidor tenha entrado no local. Segundo o
relatório citado pelo MPMT, o episódio teria ocorrido após suspeita de uso de
cigarro eletrônico por estudantes. Não foram identificadas formalmente vítimas
nem definida a autoria, embora o caso tenha repercutido entre os alunos.
O documento aponta ainda que um dos militares era
citado com frequência por estudantes devido à forma de comunicação e ao contato
visual prolongado, que causaria desconforto às alunas. Em 9 de junho, também
foi encontrado um bilhete atribuído a uma estudante do período noturno
relatando incômodo com os olhares do servidor.
Conforme a portaria, a própria Seduc informou que, desde
2025, houve diversos relatos de supostos assédios de cunho sexual envolvendo
militares e alunas da unidade. A secretaria reconheceu a necessidade de uma
apuração cuidadosa e recomendou à escola medidas diante da recorrência dos
relatos.
Irregularidades
Após receber as primeiras informações, o Ministério Público
considerou que ainda não havia elementos suficientes para concluir que os fatos
haviam sido efetivamente apurados, especialmente em relação à possível omissão
da antiga gestão.
Por isso, foi realizada uma investigação pedagógica na
escola. Conforme o relatório produzido após a vistoria, a direção que estava à
frente da escola na época das denúncias teria adotado medidas pontuais, como
reuniões, orientações e advertências verbais aos servidores citados nas
reclamações. Um deles não atua mais na unidade.
A investigação, no entanto, apontou problemas que ainda não
haviam sido solucionados. Entre eles estão:
- ausência
de uma servidora militar especificamente destinada às abordagens de
alunas;
- falta
de capacitação específica e continuada de servidores e gestores sobre
prevenção ao assédio sexual;
- inexistência
de regimento ou protocolo formal sobre abordagens de estudantes;
- falta
de regras específicas para uso de detector de metais e para situações
excepcionais de entrada de servidores em banheiros.
O MPMT também constatou que as ações de capacitação,
sensibilização e prevenção à violência sexual realizadas pela escola estavam
concentradas principalmente nos estudantes, sem atividades específicas e
continuadas voltadas aos servidores e à equipe gestora.
Secretaria terá que prestar informações
Com a abertura do inquérito, o Ministério Público
determinou que a Seduc apresente, em até 15 dias, documentos e informações
sobre as providências adotadas na escola.
Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a
previsão para disponibilização de uma servidora militar para abordar alunas, o
cronograma de capacitação dos profissionais, a existência de protocolos para
abordagens e entrada em banheiros e a implementação do Plano de Segurança
Escolar.
A secretaria também deverá informar se houve novas
reclamações, denúncias ou ocorrências semelhantes após uma diligência realizada
em agosto deste ano e quais providências foram tomadas em cada situação.
O MPMT ainda determinou a realização de uma audiência com a
atual gestão da escola e representantes da Seduc para obter novos
esclarecimentos e discutir as pendências identificadas.
Além da investigação na esfera cível, uma cópia integral do
procedimento será encaminhada à 27ª Promotoria Criminal de Cuiabá para análise
de possível prática do crime de importunação sexual. O inquérito segue em
andamento para apurar as denúncias e as irregularidades administrativas
apontadas.

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