Isenção da “taxa das blusinhas” em compras até US$ 50 é sancionada
Fonte: Agência Brasil Foto: Antonio Cruz
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta
quinta-feira (10), o projeto de lei de conversão (PLV) 13 de 2026 que
zera a tarifa de importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50
(cerca de R$ 257) feitas pela internet por remessas postais.
A nova legislação trata da tributação simplificada de
compras on-line de plataformas do exterior, extinguindo a chamada “taxa das
blusinhas”. O texto ainda reduz de 60% para 30% a tarifa para mercadorias
que somam até R$ 3 mil por remessa.
“Qual é o ganho que o Estado tem cobrando imposto de quem
compra US$ 50? O que nós estamos fazendo aqui é uma reparação, dando às pessoas
que não viajam de avião, que não podem comprar vinho, que não podem comprar
uísque, que não podem comprar blusa de couro chique, que compram uma coisinha
menor”, comentou o presidente Lula.
A medida ainda permite que o ministro da Fazenda altere as
alíquotas do imposto de importação tratados na nova lei.
“A norma autoriza tratamento tributário diferenciado
conforme o meio de importação e a adesão da plataforma ao programa de
conformidade da Receita Federal”, diz nota da Secretaria de Comunicação Social
da Presidência da República (Secom-PR).
A Secom acrescentou que o governo poderá estabelecer limites
quantitativos e de frequência de compras, “além de mecanismos para evitar
fracionamento artificial de remessas e controles destinados a impedir
utilização do regime simplificado para fins comerciais ou de revenda”.
Aprovada no Congresso
Editada pelo governo em maio deste ano, a Medida Provisória
(MP) 1.357 foi aprovada na Câmara e no Senado na semana passada, com alterações em relação
ao texto original.
Entre as mudanças, foi incluída a isenção que zera o
imposto de importação de medicamentos que não tem versão similar no Brasil.
O relatório da senadora Leila Barros (PDT-DF) ainda incluiu
a previsão de uma avaliação periódica, a ser feita pelo Ministério da Fazenda,
para analisar os efeitos econômicos da isenção proposta.
A avaliação periódica deve ainda ser acompanhada por setores
empresariais de têxteis e vestuário; calçados; acessórios; brinquedos e
cosméticos. O regime de tributação diferenciado terá também que passar por
avaliação anual do Congresso Nacional.
Empresários nacionais
A proposta da “taxa das blusinhas” sofreu oposição de
setores empresariais nacionais que alegam “concorrência desleal” por parte de
empresas estrangeiras, em especial, da China. Para esses empresários, a medida
coloca em risco empregos no Brasil ao reduzir o preço de produtos importados.
Na cerimônia de sanção da nova lei, o presidente Lula
argumentou que o governo avalia que a isenção não deve causar prejuízos para as
empresas nacionais.
“É uma coisinha tão insignificante que não vale a pena
alguém dizer que causa prejuízo, que causa desemprego, que vai causar problema
no comércio”, comentou.

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