Governo Lula cria cadastro de condenados por violência doméstica
Fonte: G1 Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nesta quarta-feira (20), três projetos de lei que endurecem as regras para proteção a mulheres vítimas de violência doméstica.
Entre as medidas, está a criação do Cadastro Nacional de
Agressores e o afastamento do agressor do lar (veja detalhes abaixo).
Os projetos foram assinados durante evento no Palácio do
Planalto em alusão aos 100 dias do Pacto Brasil entre os Três Poderes para
Enfrentamento do Feminicídio.
Os textos ainda serão publicados no "Diário Oficial da
União" (DOU). A previsão é que isso ocorra nesta quinta (21).
Projetos sancionados
1) Criação do Cadastro Nacional de Agressores
Pessoas que forem condenadas por violência contra a mulheres
passarão a integrar um cadastro nacional de agressores, que poderá ser acessado
por forças de segurança de todo o país.
O banco de dados reunirá informações como, por exemplo, nome
do agressor, documentos pessoais, fotografia, impressões digitais e endereço.
Os dados ficarão disponíveis até o fim do cumprimento da
pena ou por três anos, nos casos em que a pena for inferior a esse período.
Serão incluídos no cadastro os condenados com trânsito em
julgado (quando não há mais possibilidade de recurso) pelos seguintes crimes:
- feminicídio;
- estupro,
inclusive de vulnerável;
- assédio
sexual e importunação sexual;
- lesão
corporal;
- perseguição;
- violência
psicológica;
- violação
sexual mediante fraude;
- registro
não autorizado da intimidade sexual.
2) Afastamento do agressor
Altera a Lei Maria da Penha e amplia as hipóteses que podem
justificar o afastamento imediato do agressor do lar, incluindo casos de
violência psicológica, moral e patrimonial.
Entre as situações previstas estão a chamada “vingança
pornográfica”, a divulgação de informações falsas e a exposição da vida privada
da vítima em ambientes públicos ou profissionais.
3) Reforços na proteção da vítima
O projeto altera a Lei de Execução Penal para aumentar a
proteção de mulheres vítimas de violência doméstica, principalmente em casos em
que o agressor continua ameaçando ou volta a cometer violência mesmo depois de
preso ou condenado.
A proposta autoriza a transferência do agressor para outro
presídio, no mesmo ou em outro estado, inclusive para presídios federais,
quando houver ameaças ou novas agressões contra a vítima ou familiares após o
crime.
Também, durante o evento, o
presidente assinou dois decretos que endurecem as regras para a atuação de big
techs no país.
- Com
a mudança feita por um dos decretos, passa a existir a possibilidade de
responsabilização em alguns casos, mesmo sem ordem judicial para remoção
de conteúdo, conforme o julgamento do Supremo Tribunal Federal;
- O
outro decreto traz medidas para a proteção das mulheres contra a violência
na internet.
'Pouco tempo'
Durante o discurso no Planalto, Lula elogiou
os envolvidos no Pacto Contra o Feminicídio, em especial a primeira-dama
Rosângela Lula da Silva por encampar a luta nesse segmento.
Na ocasião, o presidente afirmou que as mulheres "em
tão pouco tempo" conseguiram fazer com que os homens se sensibilizasse
para a violência contra a mulher.
"Se vocês mulheres conseguiram, em tão pouco tempo,
fazer com que a gente tivesse consciência de assumir 'mea culpa'... porque
quando eu resolvi propor a ideia do Pacto, era porque eu dizia que os homens
têm que fazer 'mea culpa' da violência contra as mulheres", mencionou.
"A briga não pode ser das mulheres, a briga tem que ser
sobretudo dos homens, porque na hora que ele não for violento, na hora que ele
não pensar que é dono, a violência vai diminuir", completou.
No evento, além de ministros e integrantes do governo,
também estavam presentes o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson
Fachin.


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