Brasil reduz em 42% perdas florestais em 2025, aponta estudo
| Fonte: Agência Brasil Foto: Fernando Frazão |
O Brasil perdeu 1,6 milhão de hectares de cobertura
arbórea em floresta tropical úmida em 2025, aponta balanço do Global Forest
Watch, divulgado na última semana de Abril pela organização
ambiental sem fins lucrativos World Resources Institute (WRI).
O número representa uma redução de 42% das perdas em
relação ao ano de 2024, sendo observado maior impacto nas derrubadas
sem o uso do fogo. As perdas não relacionadas a incêndios resultam de
desmatamento, corte raso e morte natural, entre outros fatores.
“O Brasil diminuiu as perdas não relacionadas a incêndios em
41%, comparadas a 2024, e atingiu o nível mais baixo desde que começou a ser
registrado [em 2001]”, afirma a codiretora do Global Forest Watch
Elizabeth Goldman.
Os dados, produzidos anualmente pelo Laboratório de Análise
e Descoberta de Terras Globais (Glad), da Universidade de Maryland, são
relativos à vegetação primária, ou seja, áreas naturais maduras com vegetação
original.
De acordo com os pesquisadores do WRI, o modelo adotado não
mede apenas o desmatamento, como ocorre no sistema de monitoramento oficial
brasileiro, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica
Brasileira por Satélite (Prodes). O sistema do Global Forest Watch também
são considera outros distúrbios como corte seletivo e mortes naturais.
Alinhamento
Para Elizabeth Goldman, apesar dos métodos
diferentes, a redução apontada no estudo está alinhada ao declínio no
desmatamento dos principais biomas, apontado pelo Prodes para o período entre
de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025.
“Além das florestas tropicais primárias, pensando em toda a
perda arbórea, a maioria dos biomas viram uma redução, inclusive a Caatinga,
que é uma região de florestas secas no Nordeste do Brasil”, destaca a
pesquisadora.
Na avaliação da diretora executiva da WRI Brasil,
Mirela Sandrini, os resultados alcançados pelo Brasil foram viabilizados por
uma força-tarefa orquestrada pelo governo, com a participação da sociedade
civil, academia, de comunidades locais e do setor privado.
Iniciativas como a intensificação da produção em áreas já
desmatadas, a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em
inglês), ações para remuneração por serviços ambientais e incentivos
fiscais a quem preserva estão alinhados à expectativa global para a próxima
década, avalia Mirela.
“Considerando que o Brasil está no centro das soluções de
grande escala para alimentos, energia e segurança climática, isso é muito
importante”, destaca.
Dados globais
Para os pesquisadores, o resultado observado no
Brasil impactou positivamente os dados globais, que apontam uma perda de 4,3
milhões de hectares de cobertura arbórea em floresta tropical úmida em todo o
mundo, no ano de 2025.
O número representa uma diminuição de 35% em relação a
2024, quando o declínio da vegetação atingiu o recorde de 6,7 milhões de
hectares perdidos.
As perdas de cobertura verde não relacionadas a incêndios
foram as mais baixas nos últimos dez anos, com queda de 23%, em relação a 2024.
Por outro lado, a perda relacionada a incêndios
permanece entre as mais altas da série histórica, sendo a terceira maior
desde 2001.
De acordo com Elizabeth Goldman, os números relativos aos
incêndios de 2025 ainda passarão por revisão, uma vez que podem
representar registros tardios de 2024. “A fumaça dos incêndios ativos pode
bloquear os sensores dos satélites e atrasar o reconhecimento desses eventos”,
explica.
Participação
A perda de cobertura arbórea no Brasil representou mais de
37% do total global para o ano, sendo em extensão o país que mais perdeu,
seguido da Bolívia, com perdas de 620 mil hectares, e República Democrática do
Congo, com quase 600 mil hectares. Quando a análise é proporcional ao tamanho
da floresta, Bolívia e Madagascar tiveram as maiores perdas.
“A expansão agrícola foi a principal causa da perda de
cobertura arbórea nos trópicos, devido à produção de commodities e
mudança nos cultivos para subsistência dos mercados locais”, acrescenta a
codiretora do WRI.
Incêndios
Globalmente, os incêndios foram os grandes causadores da
perda arbórea em 2025. Nos últimos três anos, os incêndios causaram duas vezes
mais perda de florestas, do que duas décadas atrás.
Elizabeth Goldman avalia a queda da perda florestal nos
trópicos em 2025 como positiva. Mas, para ela, o resultado é insuficiente
para manter o compromisso firmado por 140 países de atenuar e reverter a perda
florestal até 2030. De acordo com a gestora, os dados atuais ainda posicionam o
mundo 70% acima do necessário.
“Alcançar essa meta nos próximos anos não será fácil porque
as florestas estão mais vulneráveis às mudanças climáticas, e a humanidade
continua crescendo e aumentando a sua demanda por combustíveis e alimentos”,
conclui Elizabeth Goldman.


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