Maus tratos a animais domésticos é crime com pena aumentada; população pode e deve denunciar
Fonte: TJMT Foto: Reprodução
Além de ser um ato de crueldade,
os maus-tratos contra animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos
ou exóticos configuram crime previsto na Lei
9.605/1998, com pena de detenção de três meses a um ano, e multa. Caso a
vítima seja cão ou gato, a Lei 14.064/2020 prevê aumento da pena para reclusão de
dois a cinco anos, multa e proibição da guarda do animal.
O crime de maus-tratos é
caracterizado por situações como agressões físicas e psicológicas, abandono,
falta de alimentação, água, abrigo e cuidados veterinários.
“Normalmente, os casos que chegam
são de animal impossibilitado de locomoção, sem condições de se abrigar do sol,
da chuva, casos em que o animal está sem alimentação ou até com a água suja,
sem cuidados médicos veterinários quando estão doentes, agressão física e
também o abandono. Essas são situações que caracterizam maus-tratos”, explica a
delegada de polícia Liliane Murata, titular da Delegacia Especializada do Meio
ambiente (DEMA), que atende Cuiabá e Várzea Grande.
Titular da 3ª Vara Cível e Ambiental
e do Juizado Volante Ambiental de Rondonópolis, a juíza Milene Aparecida
Pereira Beltramini chama atenção para o fato de que existem situações de
atropelamento proposital e envenenamento, e que deixar o animal em espaço
incompatível com o seu porte também configura maus-tratos, não somente físico,
mas também psicológico, conforme reconhecido por médicos veterinários. Para
identificar os tipos de violência, em Cuiabá e Várzea Grande, a delegada
Liliane Murata informa que a Polícia Civil costuma fazer parceria com o
Conselho Regional de Medicina Veterinária, que envia profissionais para
acompanhar resgates e operações.
De acordo com o médico
veterinário João Pedro Meireles de Jesus Ferreira, que atua em uma clínica
veterinária em Cuiabá, animais vítimas de maus-tratos costumam ser resgatados
em situação de extrema debilidade física, com danos psicológicos e traumas que
podem torná-los tristes ou agressivos.
“A recuperação depende muito da
gravidade em que o animal se encontra. Muitos precisam ficar dias internados,
recebendo antibióticos, antiinflamatórios, analgésicos por conta das dores que
eles sentem. Alguns demoram mais tempo para se recuperarem, mas, quando recebem
cuidados, é possível voltarem a sentir confiança no humano”, afirma.
Segundo a juíza Milene
Beltramini, o Poder Judiciário desempenha um papel fundamental no combate aos
maus-tratos aos animais porque é o responsável por aplicar a lei penal, além de
receber e averiguar denúncias, por meio dos Juizados Volantes Ambientais
(Juvam). “Inclusive, eu mesma julguei um caso em que dois cachorros tiveram as
vidas ceifadas por violência extrema e absurda, no qual, na soma da pena, o
denunciado foi condenado a oito anos de prisão”, conta.
Conforme o processo, os dois cachorros mortos eram dóceis, do porte de um pinscher, que brincavam com crianças sem nunca ter atacado ninguém. Um deles pertencia ao autor do crime desde que nasceu. Ambos animais foram mortos com golpes de facão no pescoço.
A juíza também relata outro caso
marcante em que atuou: uma cadela resgatada cheia de ferimentos, sem receber
cuidados veterinários, desnutrida, raquítica e, mesmo assim, tendo que
amamentar quatro filhotes. “Essa espécie de violência contra animais existe no
Brasil, infelizmente. É uma realidade. Não é caso isolado”, lamenta.
Beltramini explica que o Judiciário atua por meio do recebimento de denúncias no Juvam, bem como no julgamento dos casos judicializados. “Quando são recebidas essas denúncias no Juvam, elas são apuradas e, quando o promotor vê que a situação é de maus-tratos, que atinge a Lei 14.604, o caso é deslocado para a Vara. Mas quando é uma situação que dá pra fazer uma orientação, a equipe multidisciplinar orienta, auxilia, ajuda o tutor, exatamente pra evitar que chegue nesse extremo dos maus tratos”, relata.
Conscientização
Além do atendimento às denúncias, o Juvam de Rondonópolis também tem trabalhado no âmbito da conscientização ambiental, especialmente junto ao público infantil, em parceria com escolas. “Levamos não só o respeito para com a natureza e a forma de melhor cuidar da natureza, mas também o respeito para com os animais. Isso a gente faz na primeira infância exatamente porque eles serão a sociedade de amanhã. E nosso trabalho com as crianças é gratificante! Eles são nossos colaboradores porque levam para o bairro, levam pra casa e para outras crianças essa conscientização ambiental”, afirma a juíza Milene Beltramini.
População deve denunciar
A participação da população é
fundamental para combater a violência contra os animais. Denunciar é um ato de
responsabilidade e ajuda a salvar a vida de quem não tem como se proteger sozinho.
“O animal que está sofrendo maus tratos geralmente é um animalzinho mais
medroso ou muito agressivo, é um animal muito magro, caquético, não recebe água
direito, não tem um ambiente limpo, não recebe os cuidados necessários. Muitas
vezes, o tutor deixa amarrado no sol, fora de casa, não dá nenhuma atenção ao
animalzinho. Nesses casos, a gente tem que chamar um órgão responsável para
verificar a situação”, orienta o médico veterinário João Pedro Meireles.
A delegada Liliane Murata
ressalta que denúncias devem ser acompanhadas de provas para auxiliar as
investigações. “É muito importante que a denúncia seja enviada junto com
imagens do animal, em que se possa verificar o tutor agredindo”.
Confira alguns canais de
denúncia
Juizado Volante Ambiental de
Rondonópolis – Telefone 66 99984-1182 (WhatsApp)
Em todo o estado, a Polícia Civil recebe denúncias pelos telefones 197 e 181.
Em Cuiabá e Várzea Grande, a Delegacia Especializada do Meio Ambiente atende pelos telefones (65) 3613-8941 ou (65)-98153-0239 (plantão) e pelo e-mail: dema@pjc.mt.gov.br.
Batalhão de Polícia Militar Ambiental de Várzea Grande – Telefone (65) 9 8170-0307 e e-mail: bpmpa@pm.mt.gov.br
2ª Companhia Independente de Polícia Militar de Proteção Ambiental de Rondonópolis – Telefone (66) 9 8467-7838 e e-mail: 2cipm_ambiental_sul@pm.mt.gov.br
1ª Companhia Independente de Polícia Militar de Proteção Ambiental de Cáceres- Telefones (65) 9 9973-1333 / (65) 3223-3542 ou e-mail: ciaambientalcaceres@pm.mt.gov.br
Núcleo de Polícia Militar de Proteção Ambiental de Barra do Bugres - Telefone (65) 3361-1029.

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