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Agro se adapta ao clima e transforma risco em estratégia

Fonte: CNN Brasil Foto: Rafael Silvério 

O agronegócio brasileiro já entendeu que o clima deixou de ser um fator externo e passou a integrar o núcleo das decisões produtivas e financeiras.

A sucessão de secas prolongadas, chuvas concentradas, ondas de calor e janelas de plantio instáveis não representa apenas um desafio agronômico — trata-se de uma variável econômica que afeta produtividade, crédito, seguros, investimento e previsibilidade de receita.

Mais do que reagir a eventos extremos, produtores vêm reorganizando seus sistemas produtivos para conviver com a variabilidade climática. A adaptação deixou de ser resposta emergencial e passou a operar como estratégia.


Tecnologia, manejo do solo, diversificação produtiva e instrumentos financeiros formam hoje um pacote integrado de gestão de risco no campo.

O avanço de sistemas como a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) ilustra esse movimento. Ao combinar culturas, pastagens e árvores, o produtor dilui riscos concentrados em uma única safra, melhora a retenção de água no solo e reduz a exposição a extremos térmicos, aumentando a estabilidade produtiva.

O plantio direto também ganhou novo papel estratégico. Em um cenário de estresse hídrico crescente, preservar a umidade do solo e reduzir a erosão deixou de ser apenas boa prática agronômica e passou a funcionar como mecanismo de adaptação, sobretudo em regiões mais vulneráveis à irregularidade das chuvas.

Essa transformação não para na porteira. O crédito rural incorporou definitivamente o clima ao cálculo econômico. O Plano ABC+ define as diretrizes da política agrícola voltada à redução de emissões e à adaptação do setor, enquanto linhas como o RenovAgro funcionam como seu braço financeiro, viabilizando investimentos em recuperação de pastagens, sistemas integrados e manejo eficiente do solo e da água.

O Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) atua, por sua vez, como instrumento de disciplina produtiva, condicionando o acesso ao crédito às janelas climáticas adequadas.

Na prática, isso altera o custo de operar no campo. Sistemas mais expostos ao risco climático tendem a enfrentar maior volatilidade na produção, elevação do prêmio de seguro e restrições de financiamento.

Propriedades adaptadas conseguem reduzir perdas recorrentes, estabilizar receitas e acessar crédito em condições mais previsíveis, preservando margens.

Apesar do avanço das mudanças climáticas, nem todo o desempenho do agro aponta para queda de produtividade. Em alguns segmentos, ganhos tecnológicos, melhoramento genético e manejo mais eficiente do solo têm permitido avanços consistentes mesmo em ambiente climático mais adverso.

Soja, milho e cana-de-açúcar ainda registram ganhos de produtividade em várias regiões, indicando que adaptação bem executada pode sustentar competitividade.

Nesse contexto, linhas voltadas à inovação também ganham relevância. O InovAgro, embora não seja uma política climática por definição, contribui para a adaptação ao financiar agricultura de precisão, modernização de máquinas, digitalização da gestão rural e tecnologias de uso eficiente de água e insumos.

Há ainda um deslocamento importante na fronteira tecnológica. Liderada pela Embrapa, a pesquisa agropecuária brasileira acelera o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes ao calor, à seca e a pragas, enquanto dados e sensores refinam decisões produtivas.

No novo ciclo climático, adaptar-se deixou de ser escolha ambiental. Tornou-se condição para acesso a crédito, previsibilidade de receita e permanência competitiva em cadeias globais cada vez mais sensíveis ao risco climático.





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