Agro inicia janeiro com mudanças trazidas pela reforma tributária
| Fonte: Revista Cultivar Foto: Daniel Sales |
O evento reuniu representantes da
CNA e de secretarias estaduais de Fazenda para debater temas como o fim da
Inscrição Estadual, a adoção do CNPJ alfanumérico, as novas regras de emissão
de Nota Fiscal Eletrônica e o funcionamento do Provedor de Assinatura e
Autorização (PAA) de documentos fiscais.
Segundo o diretor técnico da CNA,
Bruno Lucchi, o objetivo é preparar o produtor para a transição e garantir que
o novo sistema não aumente a carga tributária. “Buscamos uma proposta que
reduzisse a burocracia e reconhecesse a essencialidade do agro para o
abastecimento e a segurança alimentar do país. Avançamos em pontos importantes,
como o desconto de 60% para o setor e a inclusão das carnes na cesta básica”,
afirmou.
O auditor fiscal da Secretaria da
Fazenda da Bahia, Álvaro Antônio Bahia, destacou que o processo será uma
“grande jornada conjunta” entre governo e produtores, com foco no diálogo e na
implementação eficiente da reforma.
O coordenador do Núcleo Econômico
da CNA, Renato Conchon, reforçou que a entidade vem promovendo ações junto a
sindicatos e federações para disseminar as informações. “A reforma traz um novo
paradigma de gestão e cidadania fiscal. É importante que o produtor se organize
desde já, com ações de curto, médio e longo prazo”, alertou.
Cadastro unificado com CNPJ
substitui Inscrição Estadual
No primeiro painel do fórum, o
diretor da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais, Renato Deluca, explicou que a
Lei Complementar nº 214/2025 estabelece a identificação única por meio de CNPJ
para todos os produtores, encerrando o uso da Inscrição Estadual até 31 de
dezembro de 2032.
A mudança visa garantir que o
produtor continue sendo considerado pessoa física para fins fiscais, apesar do
uso do CNPJ.
Os produtores poderão solicitar o
novo registro diretamente pelo portal Redesim
(www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/redesim), com autenticação via gov.br.
Durante o período de transição, será permitido continuar emitindo o Documento
Fiscal Eletrônico (DFe) com a inscrição estadual vinculada ao CPF até 1º de
janeiro de 2027.
Nota Fiscal Fácil vai
simplificar emissão eletrônica
O segundo painel apresentou a
ferramenta Nota Fiscal Fácil (NFF), desenvolvida pelo Fisco para simplificar a
emissão de notas e ampliar a formalização no campo. O coordenador de Documentos
Fiscais da Sefaz Goiás, Antônio Godoi, mostrou o funcionamento do aplicativo,
que permite acesso por celular e gerenciamento de vários dispositivos por CPF
ou CNPJ.
O app ainda não está disponível
em alguns estados — como Mato Grosso do Sul, Tocantins, Amazonas, Piauí, Ceará,
Pernambuco e Alagoas —, mas deve ser ampliado nos próximos meses.
Novo provedor vai facilitar
emissão de documentos fiscais
O terceiro painel tratou do
Provedor de Assinatura e Autorização (PAA), que vai simplificar o processo de
emissão do DFe e reduzir custos de infraestrutura para pequenos empreendedores.
Segundo o analista de sistemas do Procergs, Fabio Capela, o provedor deverá
garantir controle de acesso, segurança das chaves e comunicação imediata à
administração tributária em caso de mau uso.
Padronização nacional até 2027
Encerrando o evento, auditores
fiscais das secretarias estaduais reforçaram que a regulamentação da reforma
ainda está em andamento, mas os principais marcos — como o uso do CNPJ e a
obrigatoriedade da nota eletrônica — já estão definidos em lei.
“Nosso trabalho ao longo de 2026 será
harmonizar as operações de IBS e CBS com o ICMS, garantindo que o produtor
tenha tempo para se adaptar”, afirmou Lhugo Tanak Junior, da Sefaz do Paraná.

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