Ex-presidente da Transpetro diz que pagou propinas a Renan por dez anos
Em
sua delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirma que
pagou propina ao presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) por cerca de
dez anos, enquanto presidia a estatal por indicação da cúpula do PMDB. No
período, conta, os pagamentos ilícitos ao senador decorrentes do esquema de
corrupção na Transpetro somaram R$ 100 milhões ao PMDB, sendo quase um terço
disso, R$ 32 milhões, a Renan.
Segundo
o delator, que conhece o parlamentar desde 1991, os pagamentos ao presidente do
Senado começaram por volta de 2004. Na ocasião, Renan teria dito a Machado em
uma reunião na residência oficial do senador que tinha "dificuldades em
manter sua estrutura política e perguntou como eu podia ajudar".
"Definimos que eu faria repasses de valores ilícitos que iria buscar
através dos fornecedores parceiros da Transpetro", relatou Machado.
Ele
disse ainda que, no começo, os repasses ao peemedebista eram mais
"erráticos" e que a Transpetro ainda tinha pouca capacidade de
investimento, gerando, assim, menos propina do que o esperado para Renan e
causando um desgaste entre os dois. Com o passar do tempo, segundo Machado, a
estatal foi crescendo e os repasses, se estabilizando.
O
primeiro pagamento foi de R$ 300 mil, por volta de 2004 ou 2005, e, a partir de
então, segundo o delator, eles se reuniam mensal ou bimensalmente para acertar
os pagamentos que eram controlados por Machado por meio de um fundo virtual
"apurando mensalmente os créditos junto as empresas que tinham contrato
com a Transpetro e decidindo os repasses conforme as circunstâncias",
explicou o ex-presidente da Transpetro. Para o delator, o acerto dos dois
deixava claro desde o começo que os pagamentos a Renan não vinham do bolso de
Machado, mas, sim, de empresas que tinham contrato com a estatal.
A
partir de 2008, contudo, os repasses teriam se intensificado.
"Inicialmente, os repasses para Renan Calheiros eram erráticos, sem
periodicidade definida, mas se tomaram anuais em 2008, quando o depoente passa
a repassar a Renan cerca de R$ 300 mil por mês durante dez ou 11 meses por
ano", segue Machado na delação. Ainda de acordo com ele, nos anos eleitorais
o "caixa paralelo" de Renan era acrescido pelas doações oficiais das
mesmas empresas.
Do IG

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