Câmara aprova aumento no limite de receita bruta do MEI
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| Fonte: Agência Brasil Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom |
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (14),
por 461 votos favoráveis e quatro contrários, o aumento do teto da receita
bruta anual para enquadramento como microempreendedor individual (MEI) e o
perdão de dívidas inscritas na dívida ativa da União até 13 de outubro de 2026.
Com a aprovação, o limite vai subir progressivamente dos
atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Está é a
primeira vez desde 2018 que o teto é reajustado. A matéria passará
por análise do Senado.
O projeto de Lei Complementar (PLP) 186/26, de autoria
do Poder Executivo, estabelece ainda que um MEI contrate até dois empregados
que recebam exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria
profissional. A legislação atualmente permite a contratação de apenas um
empregado.
O governo disse que a mudança atende a uma demanda
recorrente dos microempreendedores, impulsionada pelas discussões sobre a
redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, que está sob análise do
Senado.
Ainda de acordo com o governo, a atualização dos limites de
receita bruta permitirá que negócios em processo de crescimento permaneçam
enquadrados em regime simplificado por período mais adequado ao estágio de
desenvolvimento.
“A ampliação não representa expansão real do regime, mas
recomposição monetária do mesmo patamar fixado em 2018”, disse o governo, que
estimou que o impacto orçamentário será de 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15
bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029.
O relator da matéria, deputado Rubens Pereira Júnior
(PT-MA), disse que o aumento do limite vai prevenir que o MEI tenha que
dispensar um contrato para não extrapolar os limites atualmente impostos.
“Queremos aliviar o microempreendedor para que possa retomar
suas atividades amplamente no mercado. Aquecer a economia, gerar emprego,
beneficiar todos”, disse. “Se um MEI contrata hoje uma mulher e ela engravida,
durante a licença não poderia contratar outro funcionário”, acrescentou o
relator.
Perdão de dívidas
O projeto concede ainda a anistia integral de dívidas de
MEI’s, inscritos na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026.
Para ter direito ao benefício, o MEI deverá ficar
adimplente no recolhimento dos tributos nos seis meses subsequentes à data de
entrada em vigor da Lei, Complementar, sob pena de cancelamento da remissão.
Além disso, o MEI terá que desistir de ações judiciais em
curso na data de entrada em vigor da lei complementar. Não haverá pagamento de
honorários advocatícios por causa da extinção do processo judicial.
Rubens Pereira Júnior disse que a medida deve beneficiar
mais de três milhões de MEI’s com débitos inscritos na União. O
deputado disse ainda que parcela expressiva dessas dívidas apresenta baixa
perspectiva de recuperação.
“A remissão proposta estabelece solução excepcional para
esse passivo, permitindo a regularização de empreendedores que enfrentam
dificuldades para quitar obrigações pretéritas. Ao mesmo tempo, a exigência de
adimplência das contribuições com vencimento nos seis meses subsequentes à
entrada em vigor da lei complementar procura associar a concessão do benefício
à retomada do cumprimento regular das obrigações tributárias”, defendeu.
Também aumenta para R$ 100 mil o limite do valor para
realização de licitações destinadas exclusivamente à participação de
microempresas e empresas de pequeno porte, atualmente fixado em R$ 80 mil.
Simples Nacional
Durante a sessão, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo
Motta (Republicanos-PB), afirmou que a Casa deve analisar até o fim do ano o
reajuste para o Simples Nacional.
"Assumo o compromisso com todos os partidos desta Casa
de que me dedicarei pessoalmente para que, até o final do ano, possamos tratar
do reajuste das empresas no regime do Simples Nacional. Não haverá prejuízo
algum", afirmou.


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