Saiba como funcionará compra de dívidas pela União
Fonte: Agência Brasil Foto: Marcello Casal
Criada nessa sexta-feira (25)
por medida provisória, a terceira fase do programa de renegociação de dívidas
de pessoas físicas, chamada de Desenrola 3.0, traz mudança importante em
relação às etapas anteriores.
A União poderá comprar em
leilões, carteiras de dívidas inadimplidas e repassar integralmente ao devedor
o desconto obtido na operação. Nas fases anteriores, os débitos eram negociados
diretamente entre credores e devedores.
A expectativa do governo é que até
R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis ao programa, com potencial para
beneficiar até 15 milhões de pessoas.
Como funcionará?
A nova fase será voltada a
dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor
original da dívida.
Para participar da operação, os
débitos deverão estar em atraso de 720 dias a 1.645 dias, contados a partir de
25 de setembro de 2026.
Na prática, o processo será dividido
em etapas:
1. A União realizará leilões para
comprar as carteiras de dívidas.
2. Os credores apresentarão
propostas de desconto.
3. As propostas serão classificadas
pelo maior deságio oferecido.
4. O desconto obtido pela União será
repassado integralmente ao devedor.
5. O consumidor poderá quitar o
saldo à vista ou parcelá-lo.
6. No caso de parcelamento, as
condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Quem poderá participar?
A MP estabelece como critérios
principais:
• Dívidas de até R$ 10
mil, pelo valor original;
• Inadimplência
superior a 720 dias;
• Inadimplência
inferior a 1.645 dias;
• Dívidas bancárias e
não bancárias.
O Ministério da Fazenda poderá
estabelecer critérios adicionais de renda e de priorização dos devedores.
Os leilões poderão ocorrer em
lotes e separar as dívidas de acordo com sua natureza, entre bancárias e não
bancárias.
Quanto será o desconto?
O deságio mínimo exigido nos
leilões será de 90%, com o desconto obtido na compra sendo integralmente
transferido ao devedor.
Assim, se uma dívida elegível de R$
10 mil for adquirida pela União com o desconto mínimo previsto, o valor
considerado para a renegociação será de R$ 1 mil.
O consumidor poderá:
• pagar o saldo de uma
vez, mantendo o desconto;
• ou parcelar o valor
restante, acrescido de juros, conforme as regras que ainda serão estabelecidas
pelo CMN.
Quanto será investido?
A estimativa do governo é que até
R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis à compra.
A previsão considera apenas uma
parcela do estoque de R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos
birôs de crédito em agosto de 2026.
O governo estima:
• até R$ 75 bilhões em
dívidas efetivamente renegociadas;
• até 15 milhões de
pessoas beneficiadas;
• custo máximo de R$ 15
bilhões para a aquisição das carteiras pela União.
Os recursos deverão ser previstos
nos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2027 e 2028.
Quando começa?
A implementação do programa
seguirá cronograma previsto na MP:
• Setembro de 2026:
publicação da medida provisória;
• Novembro de 2026:
publicação do chamamento para apresentação das propostas;
• Dezembro de 2026:
credores entregam as propostas;
• Janeiro de 2027:
homologação das propostas selecionadas;
• Fevereiro de 2027:
assinatura dos contratos e início do repasse dos descontos aos devedores.
A partir de fevereiro de 2027
está previsto o início da quitação à vista ou do parcelamento dos valores pelos
consumidores.
Tamanho da inadimplência
Dados do Tesouro Nacional citados
pelo governo mostram a dimensão do problema.
Em agosto de 2026, havia R$ 592
bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando
débitos com até cinco anos de atraso.
O levantamento aponta ainda:
• 83,9 milhões de
pessoas negativadas;
• média de quatro
dívidas por pessoa;
• valor médio de R$ 7
mil por pessoa;
• média de R$ 1,7 mil
por dívida;
• 56% dos negativados
eram mulheres;
• cerca de 55% do
estoque correspondia a dívidas não bancárias.
Entre as dívidas não bancárias
estão débitos com empresas de água, energia, telefonia e varejo.
O que mudou?
Nas duas primeiras fases do
programa, a renegociação dependia da negociação entre consumidores e credores.
Na terceira etapa, a lógica muda: o
governo passa a atuar diretamente na compra das carteiras de dívidas.
O desconto obtido nos leilões será
transferido ao consumidor, que poderá escolher entre quitar o saldo de uma vez
ou parcelar o valor restante.
Fases anteriores
Nas duas primeiras fases, o
Desenrola alcançou cerca de 25 milhões de pessoas.
A primeira fase foi voltada a
dívidas bancárias e não bancárias negativadas desde 2019:
• Mais de 8 milhões de
operações de renegociação;
• R$ 53 bilhões em
dívidas renegociadas;
• 15 milhões de pessoas
e famílias atendidas.
A segunda fase foi destinada a
dívidas bancárias com inadimplência de 90 dias a dois anos:
• Mais de 5,5 milhões
de operações;
• R$ 22 bilhões em
dívidas renegociadas;
• 10 milhões de pessoas
e famílias atendidas.

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