Estudo propõe avanços na rastreabilidade ambiental da soja e da carne
| Fonte: Agência Brasil Foto: Fernando Frazão |
O resultado foi o estudo Rastreando a
Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de
suprimento de soja e carne bovina do Brasil, lançado em julho pela organização ambiental WRI Brasil. O objetivo é compreender a atual
capacidade do Brasil em acompanhar as crescentes exigências do mercado
internacional.
Das 21 iniciativas estudadas, foram analisadas dez voltadas
à cadeia produtiva da soja e outras 11 adotadas na produção de carne bovina.
Esses instrumentos buscam apoiar o monitoramento e a verificação dos
processos de produção nos biomas Amazônia e Cerrado.
A partir da análise e comparação entre as iniciativas, foram
apontadas dez recomendações que podem melhorar os atuais instrumentos de
controle e servir de orientação para políticas públicas.
Recomendações do estudo
- Adoção
da propriedade rural como unidade de monitoramento;
- Uso
de fontes oficiais com dados governamentais e cientificamente validados;
- Verificação
da conformidade com o Código Florestal Brasileiro e ausência de violações
relacionadas ao trabalho forçado;
- Implementar
auditorias independentes de terceiros e publicar relatórios de
transparência;
- Expandir
o monitoramento para todos os biomas;
- Assegurar
que não tenha ocorrido desmatamento ilegal conforme Marco Temporal de
2008;
- Promover
o desmatamento zero após agosto de 2020 em consonância com compromissos
nacionais e exigências do mercado internacional;
- Estabelecer
mecanismos para monitorar toda a cadeia de suprimentos, incluindo
fornecedores indiretos;
- Desenvolver
sistemas para reintegração de fornecedores em situação de não
conformidade, após ações corretivas e a comprovação da regularização;
- Estabelecer
supervisão participativa e multissetorial de gestão e aprimoramento.
Mercado internacional
A diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra no WRI
Brasil, Mariana Oliveira, avalia que a melhora da rastreabilidade
pode influenciar um modelo de desenvolvimento territorial mais sustentável
no campo.
Os pesquisadores acreditam que as orientações também têm a
capacidade de integrar diferentes atores envolvidos na necessidade de
rastreabilidade das cadeias produtivas, por meio de compromissos e
responsabilidade compartilhada.
“Hoje, a gente já tem casos de instituições financeiras, por
exemplo, no Brasil, que fazem a checagem com bases de dados oficiais e não
oficiais. E podemos pensar em como a gente traz para instituições globais –
bancos de desenvolvimento, investidores – também incorporarem isso nas suas
análises de risco”, diz Mariana.
A China, que importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em
soja e carne bovina em 2024, é um exemplo de ator que pode se beneficiar com um
protocolo estabelecido para a rastreabilidade desses bens, aponta o estudo.
Com a integração das bases de dados e harmonização dos
critérios técnicos nas várias instâncias do Estado, países compradores
passariam a ter mais facilidade e transparência na avaliação de riscos
socioambientais. Por essa razão, os pesquisadores destacam a importância de o
Brasil trabalhar em cooperação com esses grandes mercados, como o da China.
Mariana destaca que as reflexões sobre a construção de
sistemas estruturados e eficientes de rastreabilidade vão além de atender às
demandas de mercado, elas também buscam aproximar os setores de um modelo de
desenvolvimento buscado por quem está efetivamente na ponta da produção de
commodities como a soja e a carne bovina.
“Um modelo de desenvolvimento que promova de fato benefícios
socioeconômicos, oportunidades, empregos, renda para produtores e produtoras
rurais, qualidade de vida no campo. Tudo isso passa por um olhar de inovação,
mecanização e, nessa cooperação com a China, isso tem muito potencial”,
conclui.


Nenhum comentário
Política de moderação de comentários:
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários; portanto, o autor deste blog reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal / familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.