Emprego feminino aumenta 11%, mas desigualdade salarial persiste
| Fonte: Agência Brasil Foto: Victor Caiano/Divulgação |
A participação feminina no mercado de trabalho aumentou
11%, com ampliação das oportunidades para mulheres negras e pardas. Apesar do
aumento, as mulheres continuam recebendo, em média, salário 21,3% menor do que
os homens nas empresas privadas com pelo menos 100 empregados.
Esta é uma das conclusões do 5º Relatório de Transparência
Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE).
De acordo com o levantamento, a participação das
mulheres no mercado de trabalho passou de 7,2 milhões para 8 milhões de
trabalhadoras, o que corresponde a um acréscimo de cerca de 800 mil postos.
O avanço foi ainda mais expressivo entre mulheres negras
(pretas e pardas), cujo número de ocupadas aumentou 29%, de 3,2 milhões para
4,2 milhões.
Desigualdade salarial
Apesar do aumento do emprego, a desigualdade salarial
entre homens e mulheres praticamente não se alterou em relação ao relatório
anterior. Em 2023, as mulheres recebiam 20,7% menos que os homens;
agora, a diferença passou para 21,3%.
Já no salário mediano de contratação, a diferença subiu de
13,7% para 14,3%, variação considerada estatisticamente estável.
O relatório se baseia em dados da Relação Anual de
Informações Sociais (Rais) e reúne dados de cerca de 53,5 mil
estabelecimentos com 100 ou mais empregados.
Segundo o levantamento, o salário médio no país, que reúne
todos os salários e divide pelo número de trabalhadores, é de R$ 4.594,89.
Já o salário contratual mediano, que fica no meio da escala que considera desde
o salário mais baixo até o mais alto, é de R$ 2.295,36.
Massa de rendimentos
A participação das mulheres na massa de rendimentos
também avançou, passando de 33,7% para 35,2%. Ainda assim, o
percentual segue abaixo da presença feminina no emprego, que é de 41,4%. Para
alcançar esse patamar, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos
rendimentos das trabalhadoras.
“Aumentar a massa em 10,6% teria impacto no consumo das
famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas
isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a
promover essas mudanças”, informou, por meio de nota, a Subsecretaria de
Estatística e Estudos do Trabalho do MTE.
O levantamento também aponta avanços nas políticas internas
das empresas, como ampliação de jornada flexível, auxílio-creche, licenças
parentais estendidas e planos de cargos e salários. Cresceu ainda o número de
estabelecimentos com menor desigualdade salarial.
Diferenças regionais
Por outro lado, persistem diferenças regionais. Os estados
com menor desigualdade são Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal
(91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%).
Os com maior desigualdade salarial são Espírito Santo
(70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).
O relatório integra a aplicação da Lei nº 14.611/2023, que
estabelece a transparência salarial como instrumento para promover a igualdade
de remuneração entre homens e mulheres.
A legislação estabelece a obrigatoriedade da transparência
salarial em empresas com 100 ou mais empregados e prevê medidas para combater a
discriminação e ampliar a participação feminina no mercado de trabalho.


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