Câmara aprova, em dois turnos, PEC pelo fim da escala 6x1
| Bruno Spada/Agência Câmara |
A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta
quarta-feira (27), em dois turnos, a proposta de Emenda à
Constituição (PEC) 221/19 que acaba com a escala de trabalho 6x1. Foram 461
votos favoráveis e 19 contrários, no segundo turno.
O texto segue para votação no Senado.
A PEC determina a redução da jornada de trabalho de 44 para
40 horas semanais, sem perda salarial. A proposta ainda
garante duas folgas semanais, sendo uma preferencialmente aos
domingos. As mudanças entrarão em vigor 60 dias após a promulgação do
texto.
O texto aprovado hoje foi apresentado pelo relator, Leo
Prates (Republicanos-BA), para duas propostas de emenda à Constituição que já
tramitavam: a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que
estabelecia 36 horas semanais após um período de 10 anos, e a PEC 8/25, da
deputada Erika Hilton (Psol-SP), que introduzia a escala 4x3 (quatro dias de
trabalho e três de descanso), com limite de 36 horas semanais, depois de um
ano.
Após o fim do primeiro turno de votação, o presidente da
Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a Casa deu um passo importante
para "uma mudança fundamental para os trabalhadores e trabalhadoras do
país desde a Constituição de 1988".
"Assumi esta condução com todo o equilíbrio,
responsabilidade e, principalmente, compromisso com os brasileiros. Por isso,
já no início do debate, tratei três pilares como inegociáveis para esta Casa e
para o governo federal: a redução da jornada para 40 horas semanais, dois dias
de descanso e a manutenção dos salários dos trabalhadores", disse
Motta.
"Essa aprovação ficará registrada na história desta
legislatura e na trajetória de cada parlamentar, que compreendeu que
desenvolvimento econômico e dignidade humana precisam caminhar juntos",
completou.
Transição
De acordo com o texto aprovado, após 60 dias, a jornada será
reduzida de 42 horas semanais para 40 horas. Doze meses após a entrada em
vigor das 42 horas, a duração do trabalho será reduzida para 40 horas
semanais, com o máximo de 8 horas diárias de trabalho.
A transição foi incluída após um acordo do governo com o presidente da Câmara dos
Deputados.
Depois do prazo de 60 dias e dentro do período de redução da
jornada, o texto prevê a possibilidade de ampliar a duração diária do
trabalho normal. Essa ampliação deverá ser feita por negociação em
convenção ou acordo coletivo de trabalho.
>> Veja as regras de transição da PEC que acaba com
a escala 6x1:
Antes da votação em plenário, o texto foi aprovado na comissão especial que analisou a matéria. Pela
manhã, Motta realizou uma sessão protocolar de oito minutos para que fosse
liberada a votação do texto na comissão especial. Dos 38 membros da comissão,
34 votaram a favor e 4, contra. Na sequência, a PEC foi incluída na Ordem
do Dia da Câmara, ou seja, na pauta de votações no plenário.
A aprovação da PEC foi comemorada pelos parlamentares da
base governista e criticada pela oposição.
“Vamos fazer história mostrando em que lado nós estamos. Nós
estamos do lado do povo mais sofrido, das pessoas que mais precisam”, comemorou
o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS).
A deputada Dandara (PT-MG), que trabalhou como caixa de loja
de departamento em escala 6x1, recordou a rotina desgastante e afirmou que a
redução vai dar tempo para os trabalhadores poderem viver.
“Eu conheço o barulho do busão [sic] lotado às 5h, o café
corrido, o uniforme vestido ainda no escuro. Eu conheço o pé inchado de tanto
ficar em pé: oito, 10, 12 horas. Eu conheço porque eu vivi. Eu sei que a escala
6x1 não cabe no calendário. Não cabe, porque não é sobre tempo, somente, é
sobre a vida”, disse.
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) lembrou que a
iniciativa é uma pauta de várias centrais sindicais.
“Essa é uma luta que começou há muito tempo. Mas, no Brasil,
essa batalha não evoluiu, a cultura escravocrata, a visão colonialista, a visão
racista, prevaleceu, mas nós vamos derrubar a escala seis por um. Hoje, aqui,
vamos fazer história”, afirmou.
Durante a sessão, deputados da oposição se posicionaram
contra a redução da jornada de trabalho.
O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que a proposta
não vai melhorar a vida do trabalhador.
"Eu não vou mentir para o trabalhador dizendo para ele
que com a aprovação dessa PEC vai acabar a escala 6x1”, disse.
O deputado Sérgio Turra (PP-RS) chamou a proposta do governo
de eleitoreira. “Estamos tratando do futuro de um país e da dignidade dos
trabalhadores", afirmou.
>> Entenda mais pontos da PEC pelo fim da
escala 6x1:
.- Jornada de trabalho não deverá ser superior a oito horas
diárias e 40 horas semanais, podendo haver compensação e redução de
jornada mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.
- Lei ordinária irá tratar da jornada e descanso de
regimes diferenciados, como trabalhadores com seis horas diárias de trabalho.
- Nova regra não se aplica: a quem tem jornada igual ou
inferior a 40 horas semanais, a empregados com nível superior e
com remuneração mensal igual ou superior a R$ 8.475,55 (equivalente a duas
vezes e meia o limite máximo dos benefícios do INSS)
- Lei complementar poderá adotar medidas de transição para
os microempreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno
porte.


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