Justiça revoga prisão e manda desbloquear bens de empresa agropecuária investigada por golpes milionários em MT
Fonte: G1 Foto:Lucas Ninno/Gcom-MT
A Justiça determinou o desbloqueio de bens e revogou a prisão preventiva de responsáveis por uma empresa do ramo agropecuário investigada por suspeita de aplicar golpes na compra de grãos.
A decisão foi assinada na sexta-feira (6) pelo juiz
Antônio Fábio Marquezi, após a Operação Agro-Fantasma, deflagrada
pela Polícia Civil na última quarta-feira (4), que investiga suspeitas de
estelionato e associação criminosa em negociações de grãos e aeronaves. O
caso foi denunciado por um produtor rural, que afirma ter tido prejuízo de
cerca de R$ 70 milhões.
Ao g1,
o advogado de defesa da empresa Imaculada Agronegócio, Miguel Zaim,
afirmou que a denúncia é atípica e que foram apresentadas provas de que mais
de R$ 30 milhões já foram pagos ao produtor rural. Segundo ele, a empresa
segue trabalhando para restabelecer a imagem no mercado após a repercussão do
caso.
"A empresa tem quase 40 funcionários trabalhando,
pais de família e movimenta cerca de 40 a 60 milhões por mês. [...]
Reconhecemos que existe um débito, entretanto, não trata-se de um crime de
estelionato. [...] Nós demonstramos claramente para o juiz que a empresa tinha
uma estrutura sólida", afirmou o advogado.
Inicialmente, a Justiça havia decretado a prisão preventiva
de três investigados. Também foram autorizadas buscas e apreensões, além do
bloqueio de contas bancárias, veículos e outros bens, devido ao risco de fuga e
possível ocultação de patrimônio.
Após novas diligências e análise de documentos apresentados
pela defesa, o juiz do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cáceres
(MT) concluiu que os investigados possuem patrimônio considerável e que
compareceram espontaneamente ao processo. Segundo a decisão, não ficou
comprovado risco de fuga.
Além disso, a Justiça verificou que parte dos valores
supostamente devidos já foi paga, somando cerca de R$ 30 milhões. Por isso, o
magistrado entendeu que algumas medidas restritivas poderiam ser revistas,
mantendo apenas as necessárias para garantir eventual ressarcimento e a
continuidade das investigações.
Com a decisão, foi determinado:
- desbloqueio
total das contas bancárias dos investigados e das empresas ligadas a eles;
- devolução
dos veículos apreendidos, com manutenção de restrição para venda;
- devolução
de US$ 8,7 mil apreendidos, que pertencem à esposa de um dos investigados;
- devolução
de uma aeronave, também com restrição de alienação;
- manutenção
da apreensão apenas de documentos, notas fiscais e equipamentos
eletrônicos para continuidade das investigações.
O processo segue em segredo de Justiça, e o Ministério
Público (MP) ainda deve se manifestar sobre outros pedidos feitos pela defesa.


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