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Tragédia na MT-100: O Custo irreparável da mistura entre álcool e volante

Foto: Reprodução 

A noite da última segunda-feira (5) foi marcada por uma tragédia que interrompeu a vida de um casal e reacendeu o debate sobre a responsabilidade no trânsito em Alto Taquari. Ronaldo José dos Santos, de 65 anos, e Antônia Ferreira dos Santos, de 58 anos, faleceram após a motocicleta em que estavam ser atingida por uma caminhonete na rodovia MT-100.

O acidente ocorreu por volta das 22h40, no trecho que liga Alto Taquari a Alto Araguaia. Segundo informações da Polícia Civil, o condutor da caminhonete, um homem de 45 anos, admitiu ter ingerido quatro doses de conhaque antes de assumir o volante. Ele alegou "não ter visto" a motocicleta, que seguia no mesmo sentido.

A ciência por trás do "Eu Não Vi"

O depoimento do motorista ilustra uma realidade científica perigosa. O consumo de álcool, mesmo em quantidades que alguns consideram "baixas", afeta diretamente as funções neurológicas essenciais para a condução de um veículo:

  • Diminuição do campo visual: O álcool causa o chamado "efeito túnel", reduzindo a percepção periférica. Isso explica por que o condutor muitas vezes não nota motocicletas ou pedestres ao seu redor.
  • Atraso no tempo de reação: O processo entre identificar um obstáculo e pisar no freio torna-se muito mais lento.
  • Falsa sensação de segurança: O condutor tende a subestimar riscos e superestimar sua capacidade de controle.

As consequências Jurídicas

O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor e condução sob influência de álcool. No Brasil, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê penas severas para quem causa mortes sob efeito de substâncias psicoativas:

Nota educativa: Desde a reforma da Lei Seca, a punição para homicídio culposo ao volante sob efeito de álcool tornou-se mais rígida, com penas de reclusão que podem variar de 5 a 8 anos, além da suspensão ou proibição do direito de se obter a habilitação.

Como prevenir novas tragédias?

A conscientização vai além de "não beber". Envolve uma mudança de cultura:

  1. Visibilidade é Vida: Para motociclistas, o uso de coletes refletivos e a manutenção das lanternas traseiras são vitais, especialmente em rodovias mal iluminadas.
  2. Tolerância Zero: Não existe "dose segura". Se houver consumo de álcool, a única opção segura é o uso de transporte alternativo ou a carona com alguém sóbrio.
  3. Fiscalização Comunitária: Se você presenciar alguém bebendo e tentando dirigir, intervenha ou acione as autoridades.

A perda de Ronaldo e Antônia é um lembrete doloroso de que as escolhas de um indivíduo no trânsito impactam o destino de famílias inteiras. A investigação da Polícia Civil continua, mas o alerta para a sociedade é imediato: o trânsito exige lucidez, respeito e, acima de tudo, preservação da vida.

 


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