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Pátio da Agência Municipal de Trânsito em Alto Taquari vira "vitrine" para o crime

O ano mudou, mas o roteiro de impunidade permanece o mesmo. Sob os olhos do Poder Executivo, veículos apreendidos desaparecem sem deixar rastros, deixando proprietários no prejuízo e a gestão pública sob xeque.


A virada de calendário não trouxe a segurança prometida para o patrimônio sob custódia do Estado em Alto Taquari. O ano de 2026 mal iniciou e a Agência Municipal de Trânsito (AMT) já contabilizou sua primeira baixa: mais uma motocicleta furtada de dentro do pátio da autarquia. O episódio não é um fato isolado, mas o capítulo mais recente de um histórico alarmante que marcou o ano anterior.

O saldo da negligência

Em 2025, o balanço da insegurança foi assustador. Ao menos 19 motocicletas foram furtadas das dependências do órgão, conforme registros de Boletins de Ocorrência. O que mais impressiona não é apenas o número, mas a localização do pátio: o espaço situa-se exatamente em frente à Prefeitura Municipal.

A proximidade com o centro administrativo da cidade parece não intimidar os criminosos, expondo o que moradores e vítimas classificam como um "apagão de vigilância". Relatos indicam que o local carece de:

  • Guarnição física permanente (guardas ou vigilantes);

  • Monitoramento eletrônico eficaz;

  • Barreiras físicas que dificultem a ação de meliantes.

Entre a apreensão e o prejuízo

Para o cidadão que tem seu veículo apreendido, o pátio da Agência Municipal de Trânsito deveria ser um local de guarda e zelo até a regularização da situação. Na prática, tornou-se um corredor de incertezas.

"A gente já paga as taxas, que não são baratas, e ainda tem que conviver com o medo da moto sumir lá de dentro. Quem vai pagar a conta se eu chegar e não encontrar meu patrimônio?", questiona um contribuinte que preferiu não se identificar.

A grande interrogação que paira sobre a cidade é a responsabilidade civil. Teoricamente, uma vez que o veículo é apreendido pelo poder público, o Estado assume o dever de guarda. Contudo, o silêncio das autoridades sobre os mecanismos de ressarcimento para as vítimas dos furtos de 2025 e deste início de 2026 só aumenta a indignação popular.

Enquanto a gestão municipal não investe em cercamentos adequados e vigilância, o pátio segue operando como um "self-service" para o crime, sob as janelas da administração pública.



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