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Entretenimento| 'O lado ruim da fama é acreditar nela', diz Fernanda Montenegro

Única brasileira já indicada ao Oscar de Melhor Atriz e com o currículo recheado de outras honrarias, Fernanda Montenegro, 88, não se ilude. Ela diz que a glória embutida na profissão de ator é estranha, e que as pessoas tendem a pensar que quando se chega a determinado patamar de prestígio as coisas ficam mais fáceis.
"Você sobrevive a duras penas. Todo dia é um recomeço. O lado ruim da fama é a gente acreditar nela. Quem acredita na fama está perdido. A partir daí é um desencadear de horrores", diz durante encontro com jornalistas nos intervalos das gravações de "O Outro lado do Paraíso", trama da faixa das 21 horas da Globo que está na sua reta final.
No folhetim de Walcyr Carrasco, ela, que interpreta a benzedeira Mercedes, comemora o fato de estar em uma trama que valoriza atores mais velhos, que nasceram entre o final de 1920 e início de 1930. Na sua opinião, o autor ofereceu papeis importantes a Lima Duarte, 88, que dá vida a Josafá; Laura Cardoso, 90, que vive Caetana; Juca de Oliveira, 83, que interpreta Natanael; e Nathália Timberg, 88, que faz Beatriz.
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"A senhorinha não foi colocada ali só para fazer cena de transição. [...] Isso é absolutamente novo na dramaturgia. Não existe, na história, cinco atores velhos numa novela."
Acostumada a interpretar mulheres ricas, bandidas ou senhorinhas honestas, Montenegro diz que Mercedes é uma personagem totalmente nova em sua carreira televisiva.
"Achei mais do que interessante [fazer este papel]. Achei um desafio. Essa personagem tem uma mística bem brasileira", afirma a atriz, que acredita ser parecida com Mercedes no quesito crença e misticismo.
Inspirada nos dons sobrenaturais da benzedeira, a veterana revela, emocionada, quem gostaria de trazer de volta à vida: Fernando Torres, com quem foi casada durante 55 anos. Ele morreu em 2008, vítima de insuficiência respiratória. O artista tinha enfisema pulmonar. Com ele, a atriz teve dois filhos: Fernanda Torres e Cláudio Torres.
"Foram muitos anos de vida, cheios de cumplicidade, não só da porta de casa para dentro, mas principalmente na nossa profissão. [...] Enquanto ele viveu, ele foi do palco para dentro, teatro, da coxia até o espectador. Se eu tivesse que fazer uma chamada de companhia eterna, seria o Fernando."
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Tantas histórias de vida e profissão renderam à Fernanda Montenegro um livro de memórias, previsto para ser lançado em outubro deste ano, e uma autobiografia.
"Nós já estamos trabalhando nesse livro de memórias há quatro anos porque são 63 de vida pública. [...] O livro é o que sobrou de fotos e o que eu juntei na vida de documentos importantes, os prêmios todos. [...] A autobiografia é como se fosse uma longa entrevista da minha vida." Com informações da Folhapress.