;

Especiais

Mundo| Pesticidas representam ameaça às abelhas, confirma agência europeia de segurança alimentar

Com informações do Terra 
As abelhas selvagens e as abelhas produtoras de mel estão sendo ameaçadas por três pesticidas de um grupo conhecido como neonicotinoides, afirmou a agência reguladora de alimentos da Europa nesta quarta-feira, confirmando temores anteriores que levaram a uma proibição generalizada do uso destes produtos químicos na União Europeia.

O relatório da Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), que estudou abelhas selvagens e abelhas produtoras de mel e incluiu uma análise sistemática de indícios científicos publicados desde sua avaliação de 2013, é visto como crucial para decidir se a moratória europeia aos neonicotinoides deve continuar vigente ou não.

A avaliação de risco atualizada encontrou variações devido a fatores como as espécies de abelhas, exposição e pesticidas específicos, "mas em geral o risco a estes três tipos de abelhas que analisamos foi confirmado", disse José Tarazona, diretor da unidade de pesticidas da EFSA.

A UE adotou a moratória ao uso de neonicotinoides --fabricados e vendidos por várias empresas, como Bayer e Syngenta-- em 2014, depois que pesquisas de laboratório apontaram para os riscos em potencial para as abelhas, que são cruciais para a polinização de plantações.

As companhias de produtos químicos para lavouras argumentam que não existem provas concretas que expliquem a queda global na quantidade de abelhas vista nos últimos anos unicamente devido aos pesticidas neonicotinoides. Elas dizem se tratar de um fenômeno complexo causado por uma série de fatores.

Dois grandes estudos de campo da Europa e do Canadá publicados no ano passado que tentaram examinar os efeitos no mundo real deram resultados mistos. Eles descobriram alguns efeitos negativos após a exposição de populações de abelhas selvagens e abelhas produtoras de mel aos neonicotinoides, mas também alguns positivos, dependendo do contexto ambiental.

O relatório da EFSA divulgado nesta quarta-feira estudou em detalhes três neonicotinoides específicos --clotianidina, imidacloprid e tiametoxam-- e mediu a exposição das abelhas a eles por três rotas: resíduos no pólen e no néctar das abelhas, dispersão de partículas durante o plantio ou a aplicação de sementes tratadas e consumo de água.

Algumas situações, como quando pesticidas são usados em plantações dentro de estufas de vidro, apresentam um risco baixo para as abelhas, disse Tarazona à Reuters, mas outras, como usar neonicotinoides em campos de cultivo florescentes que atraem abelhas, são de alto risco.