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Economia| Se alterada, Reforma da Previdência vira um Frankenstein, diz secretário

A impopular reforma da previdência precisa ser aprovada na íntegra para não se transformar em  um "Frankenstein", é o que defende o secretário da Previdência Marcelo Caetano. Em entrevista a O Globo, o político enfatizou que as medidas propostas na reforma foram elaboradas para serem implantadas juntas. Se dissociadas, elas não irão funcionar.

O secretário explicou ao jornal que não há um ponto mais relevante na reforma, pois "estamos alterando a regra de acesso, fórmula de cálculo e também pensões por morte. Se a gente começa a abrir mão de algumas coisas ou muitas coisas, o poder de economia da reforma se dilui muito ao longo do tempo e vai acabar sendo necessária outra reforma daqui a alguns anos", disse.

Sobre uma das mudanças mais polêmicas propostas no texto, que é a instituição de idade mínima para aposentadoria, Caetano defende que, no fim, isso não vai acontecer da noite para o dia, pois "vai valer para aquelas pessoas que, hoje, têm menos de 50 anos (homens) e 45 anos (mulheres). Só vai entrar em vigor de fato daqui a 15 anos, 20 anos. Ainda vai demorar um pouco, e muitas pessoas vão se aposentar com menos de 65 anos". Para ele, negociar esta idade mínima, ou abrir mão de qualquer outro ponto, poderia transformar a reforma em um "Frankenstein".

O secretário também explica que os benefícios da economia com a reforma podem demorar a vir, pois as mudanças acontecerão gradativamente e a longo prazo. Para ele, uma coisa é certa: "Do jeito que está, não dá".

Sobre retirar PMs e Bombeiros da PEC, Caetano conta que eles podem ser incluídos na análise da comissão especial, por ser um grupo que faz toda diferença para as finanças dos estados.

Quando questionado pelo repórter se faltou ouvir os cidadãos, o secretário foi enfático em dizer que não. Ele afirma que foram realizadas inúmeras reuniões com centrais sindicais, com o Dieese, grupos da sociedade, categorias especiais, governadores e secretários de Fazenda dos Estados.


Para concluir, Caetano diz que o ideal seria aprovar a PEC até setembro do ano que vem. Depois de aprovada, faltaria ainda regulamentar a contribuição para o trabalhador rural, que também promete ser bastante trabalhosa.

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