Dilma diz que apoiará nova eleição caso volte à Presidência
A
presidente afastada, Dilma Rousseff, manifestou apoio à realização de novas
eleições no país desde que seja reconduzida ao cargo. "Se tiver de ter
novas eleições, eu serei a favor. Só tem uma coisa. Eu acredito que não haverá
democracia se o meu mandato não for restabelecido. Para ter qualquer processo
[eleitoral], tem de haver o restabelecimento do meu mandato. Aí se pode
consultar a população e ver o que se faz", afirmou nesta terça-feira (14)
em entrevista concedida a agências internacionais de notícias.
Dilma
disse que está trabalhando na tentativa de construção de um "pacto
democrático" e conversando com senadores, responsáveis pelo julgamento
final do processo de impeachment.
"Vários
senadores disseram que só estavam votando pela admissibilidade [da abertura do
processo de investigação]. Porque achavam que tinham de ser algo passível de
ser discutido, mas que não estavam votando pelo mérito. O instrumento principal
que nós usamos é o diálogo, é a discussão sobre esse processo."
Nesta
terça, a petista recebeu no Palácio da Alvorada senadores, presidentes de
partidos políticos e integrantes de movimentos sociais para tentar buscar um
consenso sobre o plebiscito para a convocação de novas eleições presidenciais.
De acordo com a "Folha de S.Paulo", Dilma queria afinar o discurso
entre parlamentares e líderes da base social do PT e se comprometer, caso seja
reconduzida ao Planalto, a fazer um "governo de transição" com
"acenos à esquerda" e mudanças na política econômica.
Um
novo encontro ficou marcado para a próxima terça-feira (21), também no
Alvorada. "Vamos conseguir a unidade em torno de um plebiscito e de uma
carta para a transição", disse à "Folha" o senador Roberto
Requião (PMDB-PR).
"As
coisas estão claras agora"
Às
agências internacionais, a presidente afastada afirmou que sente uma
"profunda tristeza" por ter de "lutar novamente pela
democracia" no Brasil, mas que tem esperança porque "a população tem
discernimento para ver quem é quem".
Para
Dilma, a população pode ter se confundido durante a crise política, mas agora
tem condições de fazer um julgamento melhor a respeito do processo de
impeachment. "As coisas estão claras agora."
A
presidente afastada também declarou que gostaria de participar da abertura dos
Jogos Olímpicos do Rio, em agosto. "Se não me convidarem, eu vou assistir
do alto de uma árvore com binóculos", brincou.
Dilma
foi afastada em maio da Presidência quando o Senado aprovou o processo de
abertura de impeachment contra ela. Os senadores têm seis meses para decidir se
Dilma volta ao poder ou se o presidente interino Michel Temer (PMDB) continua
no cargo.
Do Uol

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