Processamento de soja no Brasil deve bater recorde em 2026, projeta Abiove
Da Redação com Globo Rural/ Foto: United Soybean Board/CCommons
O Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais elevou a estimativa de processamento de soja no Brasil para 62,2 milhões de toneladas em 2026, o maior volume já registrado no país. O número representa alta de 1,1% em relação à projeção anterior e crescimento de 6% frente ao total processado em 2025.
Segundo a entidade, o avanço é impulsionado pela safra robusta e pela maior demanda por derivados da oleaginosa. Em relatório, o diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove, Daniel Furlan Amaral, destacou que o cenário reforça a resiliência do setor e amplia a produção de itens com maior valor agregado, como farelo e óleo de soja.
A produção de farelo foi revisada para 47,9 milhões de toneladas, alta de 1,1% sobre a estimativa anterior e de 6,8% na comparação anual. Já o óleo de soja deve atingir 12,5 milhões de toneladas, avanço de 1,2% ante a projeção anterior e de 4,8% sobre 2025.
Os dados mais recentes confirmam o ritmo de crescimento. Em fevereiro de 2026, o processamento somou 3,546 milhões de toneladas, aumento de 8,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do primeiro bimestre, foram 7,421 milhões de toneladas, alta de 6,4%.
Receita menor, apesar de maior volume
Apesar do desempenho positivo na produção e nas exportações em volume, a receita do complexo soja deve cair. A Abiove projeta faturamento de US$ 51,18 bilhões em 2026, recuo de 3,2% frente a 2025, pressionado pela queda nos preços internacionais.
A expectativa é de redução de 8,1% no preço médio da soja em grão, para US$ 370 por tonelada, e de 11,7% no farelo, para US$ 300. Em contrapartida, o óleo de soja deve registrar valorização de 7,3%, com média de US$ 1.140 por tonelada.
Mesmo com preços mais baixos, o volume exportado deve crescer 5,2%, alcançando 139,75 milhões de toneladas. A soja em grão lidera, com previsão de 113,6 milhões de toneladas embarcadas (+5%), seguida pelo farelo (24,6 milhões, +5,6%) e pelo óleo (1,55 milhão, +13,7%).
Preços com desconto no mercado externo
Em março, a soja exportada pelo Porto de Paranaguá foi negociada a US$ 427,28 por tonelada, com leve alta mensal, mas ainda com desconto frente à cotação internacional na Bolsa de Chicago.
O óleo de soja também foi embarcado com deságio em relação ao mercado externo, enquanto o farelo apresentou prêmio sobre os preços internacionais, indicando maior competitividade do produto brasileiro nesse segmento.


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