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Brasil chega ao 8 de março com salto de 34% nos casos de feminicídio

Relatório da UEL aponta que quase seis mulheres foram mortas por dia em 2025; subnotificação oficial mascara a gravidade do cenário nacional.

Da Redação com Agência Brasil Foto: Arquivo CNJ

Neste Dia Internacional das Mulheres, o Brasil encara um cenário de urgência e luto. Dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), revelam que o país registrou 6.904 vítimas de feminicídio (entre casos consumados e tentados) no último ano.

O número representa um aumento drástico de 34% em relação a 2024. Ao todo, foram 2.149 assassinatos consumados, o que equivale a uma média de 5,89 mulheres mortas diariamente por questões de gênero.

A discrepância nos números e a subnotificação

O levantamento do Lesfem expõe uma falha crítica nos registros oficiais: os dados da universidade são 38,8% superiores aos divulgados pelo Ministério da Justiça (Sinesp). Enquanto o governo federal contabilizou .1548 mortes, a pesquisa acadêmica identificou um volume muito maior de casos.

Segundo a pesquisadora Daiane Bertasso, essa diferença ocorre devido à subnotificação e à dificuldade de tipificação do crime no momento do registro policial. "Nem todo feminicídio é noticiado ou registrado corretamente pelas forças de segurança, que nem sempre possuem formação específica para identificar o crime", explica.

O Perfil da Violência

O relatório traça um mapa detalhado de onde e como a violência ocorre:

  • Ambiente Doméstico: 59% das agressões ocorrem dentro da própria casa ou na residência do casal.
  • Círculo Íntimo: 75% dos agressores são companheiros ou ex-companheiros.
  • Meios Utilizados: A arma branca (faca, foice ou canivete) foi usada em 48% dos crimes.
  • Vítimas Invisíveis: 1.653 crianças ficaram órfãs em decorrência do feminicídio em 2025.

"O feminicídio não é um crime inesperado. Ele é o resultado final de um ciclo de violências ignorado pela sociedade", afirma Bertasso.

O Papel da "Machosfera"

A pesquisa também alerta para o crescimento da chamada masculinidade tóxica e da "machosfera" em redes sociais. Segundo o Lesfem, essas comunidades digitais fortalecem ideais misóginos que influenciam desde adultos até jovens e crianças, retroalimentando o ciclo de ódio contra a mulher.

Mesmo com medidas protetivas, muitas mulheres continuam desamparadas pelo Estado. O dado de que 22% das vítimas já haviam denunciado seus agressores antes do crime consumado reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes e uma rede de proteção que vá além do papel.



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