IBGE anuncia primeiro censo da população em situação de rua para 2028
| Fonte: Agência Brasil Foto: Antônio Cruz |
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
realizará, entre 3 e 7 de julho de 2028, o 1º Censo Nacional da População
em Situação de Rua. Os primeiros resultados da pesquisa devem ser
divulgados em dezembro de 2028.
A iniciativa inédita no país foi anunciada pelo instituto
nesta semana.
Presente no evento realizado nesta terça no Centro de
Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua do Rio de Janeiro
(CIPOP-RUA/RJ), o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, afirmou que a
metodologia do instituto se tornará referência para outros países.
Na avaliação de Pochmann, identificar o perfil e a origem
desses brasileiros poderá servir de base para uma transformação das políticas
públicas, “para que não precisemos mais fazer levantamento dessa população sem
domicílio fixo”, afirmou.
O presidente do IBGE lembrou que a primeira experiência de
contagem de moradores em situação de rua ocorreu na cidade de São Paulo, na
virada da década de 1980 para 1990.
Em 1991, foram identificadas na capital paulista 3.393
pessoas em situação de rua. O último levantamento, em 2025, mostrou que
esse número aumentou para 101 mil pessoas.
Orçamento
Para Pochmann, essa “explosão” de brasileiros sem domicílio
“não pode estar sob o esforço de prefeituras e de governos estaduais”, mas
precisa ser encarado nacionalmente, como propôs o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva.
“Para isso, é necessário orçamento público, definido em
Brasília e votado por parlamentares. Tem que ter garantia orçamentária
para poder realizar esse projeto”, defendeu Pochmann.
Segundo o presidente do IBGE, os recursos para o 1º Censo
Nacional da População em Situação de Rua estarão na proposta orçamentária que
será enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional em agosto.
Marcio Pochmann acredita que o levantamento significará o
pagamento de uma dívida do IBGE para com essas pessoas e colocará luz sobre
esses brasileiros até então invisíveis.
O IBGE ressaltou que o censo, desenvolvido em parceria com
instituições e movimentos sociais, representa um marco na produção de
informações oficiais, com metodologia própria construída em diálogo com a
sociedade civil.
Discriminação
O morador em situação de rua Igor Santos participou do
evento de lançamento no Rio de Janeiro e destacou que, muitas vezes, são
as circunstâncias da vida, e não a vontade própria, que levam uma pessoa a
viver nas ruas.
"Muitas das vezes, somos discriminados, somos olhados
com olhares de menosprezo. Então, eu vim aqui para poder pedir ajuda".
Há quatro anos fora das ruas, o secretário-geral do
Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, Flávio
Lino, acredita que a realização da pesquisa “mexe com a
estrutura do país”.
Ele afirmou que pessoas com trajetória de rua serão
contratadas para participar da realização do censo, e que as 20
coordenações nacionais do movimento vão colaborar para que o
levantamento tenha um resultado correto.


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